Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Trocar experiências pelo mundo fora

Cooperação. Partilhar o conhecimento do mundo desenvolvido com os professores, alunos e população dos países em desenvolvimento é a filosofia da associação Cientistas no Mundo, que foi criada por um grupo de portugueses. Transferência de tecnologia simples e redes de alunos para a ciência estão em andamento

Associação aposta na partilha do conhecimento

Quando foi de férias, em 2004, a Timor-Leste, o físico português Yasser Omar estava longe de imaginar que isso seria decisivo para o nascimento, três anos depois, de uma associação original: a Scientists in the World (SiW). Em português, Cientistas no Mundo, mas o inglês diz logo da sua vocação internacional.

"Em Timor confrontei-me com as histórias das pessoas, com as enormes carências do país, e vim de lá a perguntar-me como é que um teórico como eu podia ajudar", conta o físico, que é professor e investigador do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

A resposta não foi difícil. Durante a licenciatura em Engenharia Física e Tecnológica, no Instituto Superior Técnico (IST), Yasser Omar tinha criado com alguns colegas o Núcleo de Física do Técnico (NFIST), cujo propósito era levar experiências de física interactivas simples às escolas. Chamaram-lhe Circo da Física e, até hoje, a iniciativa continua.

"Lembrei-me que se podia fazer algo desse tipo em Timor", conta Yasser Omar. Contactou o NFIST e, logo em 2005, no Verão, partiram para Díli com a Física Divertida em Timor.

"Correu muito bem. Íamos a cinco escolas, mas durante a semana que durou o projecto fomos a dez escolas de todos os níveis de ensino e os professores pediam-nos que voltássemos".

Quando regressou, Yasser Omar já trazia a ideia de lançar algo mais permanente. "Há um enorme fosso de conhecimento entre o nosso mundo e os países em desenvolvimento, partilhar e democratizar o conhecimento é algo que custa pouco, em comparação com outras coisas, como a construção de infra-estruturas, por exemplo", diz o físico.

Depois de uma pesquisa, descobriu com alguma surpresa que não existia, nem em Portugal, nem noutro país, uma associação dedicada a esta áreas. "Havia coisas na engenharia, mas nada focado no conhecimento científico e na promoção da literacia científica". Criar uma associação que juntasse os dois mundos - o académico e o da cooperação - era o passo natural seguinte. Foi o que Yasser Omar fez com outros colegas.

A SiW nasceu em Setembro de 2007 e, em 2008, com os seus objectivos e linhas de acção delineados, iniciou actividades. Divulgação da ciência, formação de professores, transferência de pequena tecnologia, formação avançada e intercâmbio científico e técnico são as grandes linhas de trabalho da associação. E as coisas já começaram a rolar.

Na transferência de pequenas tecnologias a associação está a apostar no desenvolvimento de uma pequena arca frigorífica solar, cujo primeiro protótipo deverá ficar pronto no fim do ano. Os fornos solares são outra aposta, que foi testada no terreno, em 2008, em Timor e na ilha do Príncipe. João Cardoso, o jovem responsável pela missão a Timor, fala disso com entusiasmo. "Fizemos formação para a utilização e construção de fornos solares e era fantástico ver o brilho nos olhos das pessoas quando percebiam que era possível cozinhar ali e que os fornos eram uma alternativa à lenha".

Para este ano, o projecto central da SiW, além de continuarem os fornos solares -a equipa está agora a produzir um pequeno manual da sua construção e utilização - é o da Rede Escolas Eddington. Com uma turma de alunos de 12 anos, de uma escola em cada um dos países lusófonos, a ideia é criar uma rede através da Internet e durante três anos, mobilizá-los para desafios e novas aprendizagens em física e noutras ciências. O ponto de partida são as medições que Charles Eddington fez na ilha do Príncipe há 90 anos, que comprovaram a teoria de Einstein, e entusiasmar os jovens.

in: DN 21-02-2009


publicado por FQ às 14:34
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